Minha primeira experiência no Festival do Rio

Nunca fui cinéfila. Meus filmes preferidos na adolescência sempre tiveram algo a ver com zumbis, monstros, super-heróis, enormes máquinas de destruição e explosões. Mas ao mesmo tempo nunca fui fã de filmes B (aquele cult-moderninho sabe?) ou filmes de terror. Sou capaz de dormir uma semana de luz acessa se assistir algum filme de terror psicológico, pessoas enlouquecendo me dão bastante medo. Mesmo assim sempre assisti vários filmes: os Blockbusters, os indicados por amigos e os que têm atores que eu gosto (como o David Tennat, aquele lindo!).

No Festival do Rio todas essas premissas para escolha de filme foram por água a baixo. Peguei a programação (no site pra ser bem sincera) e comecei a olhar aquilo que achava bacana. Sim, julguei o livro pela capa várias vezes, e a sinopse (a sinopse bem feita do festival e não aquela coisa horrenda que eles tem coragem de publicar no Globo) foi minha melhor companheira. No fim das contas acabei escolhendo mesmo sem olhar todos os 429.876 filmes, e gostei do que escolhi!

A primeira escolha foi Dormir ao Sol. Foi bem difícil conciliar horários da faculdade, trabalho e festival, mas valeu a pena! A sinopse amiga:

Na Buenos Aires da década de 50, Lucio trabalha como relojoeiro em uma velha casa herdada de seus pais. Ele mora com Diana, sua esposa, cuja condição neurastênica o obriga a interná-la temporariamente em uma instituição psiquiátrica, sob os cuidados do Dr. Reger Samaniego. Quando ela recebe alta, porém, já não é mais a mesma. Antes comedida, Diana agora é espontânea e faz questão de deixar claros os seus desejos. Ao tentar entender o que teria acontecido na clínica, o próprio Lucio entrará em uma fase de estranhas mudanças. Adaptado do romance de Adolfo Bioy Casares. (Fonte: Festival do Rio)

Eu sei, “adaptado do romance tal” sempre me faz querer ler o livro primeiro (vide O Direito de Amar) mas não resisti. Acredito que esse não é o tipo do filme que entraria em cartaz fora do festival, achei que valeria a pena ver.

E como valeu! O filme me pegou! Com aquele humor argentino delícia o filme trata de uma relação de amor e a tentativa de curar angústias. Não sou muito boa em descrever enredos sem entregar o pote de ouro no fim do arco-íris, mas esse vale a pena ver! 7 estrelinhas no IMDb ;)

Meu segundo filme foi O Moinho e A Cruz, escolhi esse junto com o namorado e veja se você também não escolheria:

Em 1564, durante a ocupação espanhola em Flandres, atual Bélgica, ocorrem o calvário e a crucificação de Cristo. A vida de doze personagens, todos afetados pela presença do exército na região, é entrecruzada com o calvário, conduzido pelas tropas da ocupação. Entre eles, estão a Virgem Maria; Judas, representado por um soldado espanhol; um pintor que registra cenas do cotidiano; seu amigo burguês, colecionador de obras de arte; e um jovem fazendeiro torturado pelo exército. Inspirado na tela The Way to Calvaire, de Pieter Bruegel. Festival de Roterdã e Sundance Film Festival, 2011. (Fonte: Festival do Rio)

E tudo isso se passaria no quadro! Achei a ideia super bacana. Mas a realização foi um saco! Vou repetir pra ter certeza: um saco! Foram os minutos mais angustiantes dos últimos meses (e levem em consideração o fato de eu ter escrito o capítulo mais difícil da minha dissertação esse mês)! Esse foi o filme que eu me arrependi de não ter saído no meio. 2 estrelinhas no meu IMDb :(

Parece que a crítica (odeio essa expressão) adorou o filme. Achou tudo lindo e a fotografia (também odeio) ótima. Mas eu, mich, moi achei um porre sem tamanho com ressaca inclusa! Enfim, resolvi escolher mais alguns.

Acabei escolhendo três filmes para ver junto com uma amiga que vinha passar o fim de semana comigo. A Chave de Sarah, Juntos para Sempre e Bonsái. Como A Chave de Sarah com certeza entraria em cartaz (e como ela fez Letras/Espanhol) resolvemos ver os dois últimos.

Primeiro Juntos para Sempre:

Gross é roteirista de vários filmes de sucesso e costuma inventar histórias para tudo em sua vida. Cansada de ser deixada de lado, sua mulher Lucía conta que está tendo um caso. Mas Gross, completamente envolvido com um novo roteiro, não demonstra nenhuma reação e ela o abandona. Ele a substitui rapidamente por Laura, que Gross vive chamando pelo nome da ex-mulher, apesar de as duas serem muito diferentes. Enquanto isso, o seu novo roteiro, sobre um homem que abandona a família na rua, vai tomando forma e aos poucos a ficção vai se confundindo com a realidade. (Fonte: Festival do Rio)

Outro filme sem cara de circuito, né não? Mas adorável! O personagem principal (Gross) ganha qualquer um! Meio difícil não entender o desespero de escrever, mas é ainda mais difícil não entender o seu jeito de lidar com os problemas. 7 estrelinhas no meu IMDb :)

O final de semana filmístico acabou com Bonsái.

À procura de trabalho, Julio conhece Gazmuri, um escritor mais velho e estabelecido que precisa de alguém para digitar o manuscrito de seu último romance. Ele acaba não conseguindo o emprego, mas decide não contar a verdade a Blanca, sua namorada. No entanto, para conseguir levar à frente sua mentira, ele próprio precisa escrever um romance. Em busca de um enredo, recorre ao caso de amor que viveu com Emilia, oito anos antes, quando ainda era um estudante de literatura em Valdivia. Baseado no romance de Alejandro Zambra. Selecionado para a mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes 2011. (Fonte: Festival do Rio)

Escrever, escrever, escrever.. Estão percebendo um padrão de desespero aí? É… Acho que eu também. Mas de qualquer forma esse filme foi muito bonito. Triste, mas bonito. Um bom exemplo de como saber o final da história logo de cara não atrapalha em nada o desenvolvimento (vide Édipo, existe alguma coisa com mais spoilers?). 8 estrelinhas no meu IMDb. ;)

No domingo mesmo (que foi quando eu vi Bonsái) já comecei a procurar outros filmes que gostaria de ver. A Première Latina parecia ter me conquistado. E essa foi a sensação mais engraçada do festival todo: eu, que já disse não sou cinéfila, estava procurando freneticamente meios de arranjar o meu horário para caber mais um filmezinho! Eu realmente queria ver mais filmes!

Sou uma menina do interior. Na cabeça e no coração. (Eu sei que você, leitor, é uma pessoa esclarecida, mas vale lembrar que interior não é igual a fazenda ok?) Nunca entendi muito bem essa coisa de cidade grande, essa loucura e falta de tempo. Mas com o Festival pude ter acesso a uma coisa que nunca, jamais, em tempo algum aconteceria em uma cidade de 150mil habitantes. Ainda continuo achando que vale mais a pena morar no interior e visitar a metrópole quando der, mas esses são outros papos.

Acredito que muitos cariocas começaram a gostar de cinema com os festivais, antes de se tornarem pessoas insuportáveis que julgam absolutamente tudo o que os outros veem, muitos começaram a se interessar nesse espaço. No final das contas gostei muito da experiência do festival. E fiquei triste de não poder assistir mais filmes.

Ah! Na minha procura por um último filme acabei escolhendo Gramática Íntima, mais pelo fato e nunca ter visto um filme feito em Israel do que por qualquer outra coisa. Infelizmente o filme não chegou a tempo… (Ah! Se alguém achar o torrent desse filme eu aceito assistir de forma ilícita tá?)

Israel, início dos anos 1960. Aos 13 anos, Aaron vive seu inferno astral: inteligente e sensível, não encontra diálogo para suas aspirações em casa. Seus pais, sobreviventes do holocausto, vivem uma vida sem amor ou emoção. Sua mãe vive caçoando de sua altura, pois Aaron é o mais baixo de sua turma e não cresceu nem um centímetro nos últimos três anos. Para completar, ele perde a garota por quem é apaixonado para seu melhor amigo. Solitário, ele continua a se recusar a crescer. Porém, mais cedo ou mais tarde, terá que entrar para o mundo dos adultos. Mostra Geração do Festival de Berlim 2011.

Mas a fila de espera desse filme me proporcionou um dos melhores diálogos da semana!

Estávamos esperando a sala abrir (já com atraso) meio-dia e acabei ouvindo um pouco da conversa alheia (coisa que adoro fazer. Tá mãe, eu sei que é feio!):

[senhora no segundo lugar]: Adoro aquele filme sobre a Alemanha, um filme grande, bonito, de um diretor famoso… uhm… uhm… Que passou na televisão da Alemanha… uhm…

[eu]: Berlin Alexanderplatz? [sim, eu também sou intrometida]

[senhora do segundo lugar]: Isso mesmo!

[menino do terceiro lugar]: Ah! Também adoro! É do “Fezbender” [leia-se como está escrito], acho que o filme é de 2006, ele fez um outro filme bom chamado “O Aquário”.

[senhora do segundo lugar]: É, deve ser ele mesmo…

:)

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