Desafio Literário #2.2: Fevereiro – Cândido, Voltaire

Nunca fui uma pessoa otimista. Isso não significa que eu saia por aí achando que tudo vai dar errado, só não acho que tudo vai dar certo, ou que tudo está bom. Tenho até um pouco de raivinha de pessoas com síndrome de Pollyanna (dois l’s e dois n’s? Sério?) e sua felicidade por ganhar uma muleta e não uma boneca. Mas também não sou lá muito fã das pessoas que sempre acham que o mundo conspira contra elas (vou contar um segredo gente, infelicidade é um mal coletivo e não individual). Enfim, talvez meu problema seja com as pessoas – minha mãe diria que o problema sou eu, mas hei! Jamais assumirei isso né?

Cândido é desses. Desses Pollyanna, desses Augusto Cury, desses Chalita, opa daí também não! Cândido é um otimista, mas é assim porque foi ensinado a ser. Toda sua educação foi responsabilidade do Dr. Pangloss, grande filósofo alemão (rá! A Alemanha faz algo além de filosofia e salsicha?). O livro é todo “engraçadinho”, e parece que no final de cada capítulo (são vários, mas bem curtinhos) vou ouvir aquelas risadas gravadas de sitcom americano sabe?

Ah! Antes que eu me esqueça, não se assuste por ser um livro escrito por Voltaire, Cândido é iluminismo na veia, um iluminismo divertido.

Acho que no final o livro foi isso pra mim, divertido. Claro, tenho certeza que perdi várias referências, deixei passar várias coisas (no que as notas de rodapé ajudaram bastante) mas não foi um livro que me conquistou. Meu namorado, que adora o livro, usa muito para dar aula, e acho que para isso ele deve ser ótimo!

No final não fiquei mais otimista com esse livro, acho que foi até o contrário. Mas se tem uma coisa que eu fiquei foi com mais raiva de filósofos em geral. Assim, eu tenho uma birrinha pessoal com filósofos. Normalmente eles se acham os “pais” da humanidade, aquela coisa meio de colégio “minha ciência é maior que a suaaaa, la la la la”. Talvez eles se atribuam muita importância e isso acabe reforçando a baixa autoestima da história. Enfim, tenho meu pé atrás com esses descabelados. E com Cândido meu pé atrás foi parar quase que na minha última geração, filósofos são, por excelência, chatos, e isso Cândido mostra muito bem!

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Esse mês li dois livros sobre o tema do desafio literário, então coloquei o #2 no primeiro (Clarissa) e o #2.2 no segundo. Acho que ficou fácil de entender né? Agora vamos para a ficha!

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  • Tema: Títulos com nomes próprios
  • Mês: Fevereiro
  • Um pouco sobre mim:

Eu sou a: Luara
Moro no Rio de Janeiro/RJ
Você me encontra: aqui no Isaac Sabe!

  • Neste mês eu li:

Título: Cândido
Autor: Voltaire
Editora: Clássicos Abril Coleções
Nº de páginas: 160

  • Quando vi a capa do livro o que mais chamou minha atenção foi: ah! Como eu adorei essa coleção!
  • O livro é sobre: um otimista inveterado, Cândido (que tem candura não só no nome), e suas peripécias para encontrar seu amor, Cunegundes.
  • Eu escolhi esse livro porque: meu namorado adora, resolvi dar uma chance!
  • A leitura foi: rápida e divertida!
  • O personagem que eu gostaria de socar é o Dr. Pangloss. Filósofo é chato até na literatura né?
  • A nota que dou para o livro:

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Um pouquinho de spoiler!

ADOREI as duas últimas páginas do livro! Mais alguém?

“- Trabalhemos sem refletir demais – disse Martinho -; é o único meio de tornar a vida suportável.”

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12 pensamentos sobre “Desafio Literário #2.2: Fevereiro – Cândido, Voltaire

  1. Adoro esse livro, uma crítica irônica, sarcática, da sociedade ocidental e super atual. Na mesma linha de crítica social sarcástica recomendo Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift e Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdã. São ótimos.

  2. Pingback: Desafio Literário 2012 « Isaac Sabe!

    • Oi Denise, eu tenho comprado todos os meus no EstanteVirtual.com.br … Procuro por livros da Abril Coleções com data de lançamento 2010 e depois pergunto pro vendedor se é a capa de pano ou a capa vermelhinha… Tem dado certo até agora! ;)

  3. Eu também detesto pessoas Pollyanna e filósofos em geral. Acho que até tenho esse livro em casa, mas nunca me animei a ler justamente por isso. Vai sendo constantemente empurrado para o fim da fila, coitado!
    Que bom que vc achou divertido, pelo menos.
    bjo

  4. Nossa, eu li esse livro ano passado e também achei ele engrçadíssimo. E quando terminei o livro fiquei muito menos otimista do que já sou. E adorei a risada de sitcom no final dos capítulos, lembrei de como me senti lendo o livro, e é bem isso mesmo.

    Beijos

  5. Mas o livro é exatamente uma crítica contra o otimismo de Leibniz (seria este o Pangloss). O Livro é tomado de sarcasmo, o próprio cândido é puro sarcasmo, protagonista dessa crítica que “estamos no melhor dos mundos possíveis”. Tanto que o final dele é genial!
    É pra jogar na cara do Leibniz que “não, amigo, tu tá errado.”

    Eu, particularmente, achei o livro bem interessante e tem muitos ensinamentos subentendidos que, após uma leitura extra sobre o contexto em que ele se encontra, transforma a leitura e eleva-a num patamar de brilhantismo

    Boa tua resenha :)
    beijos!

  6. Nossa, eu AMO esse livro! Já faz um tempinho que li, mas achei muito interessante e irônico… acho que por isso ele também não conseguiu me deixar mais otimista, talvez até o contrário. Mas também nunca fui otimista, então como saber?!
    Bjus

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