84 Charing Cross Road – Helene Hanff

NUNCA_TE_VI_SEMPRE_TE_AMEI_1244652129P“Nunca te vi… Sempre te amei”, essa é a primeira coisa que se vê na capa do livro. Esse é o título que a adaptação para o cinema recebeu no Brasil (em inglês ele continua sendo 84 Charing Cross Road). O título do livro mesmo vem bem pequeno no topo da capa.

Mais apropriado me parece o título do livro. Pode ser impressão, mas “Nunca te vi… Sempre te amei” me traz à mente uma imagem de amor mais carne, mais humano, mais desejo; enquanto o livro me trouxe outra imagem, um amor mais etéreo, mais plácido, mais coisa e menos posse.

O livro é uma reprodução das cartas que Helene Hanff, Nova York, troca com os funcionários da loja de livros antigos Marks & Co., Londres. Num clima todo Um conto de duas cidades vemos os dois locais pela ótica do morador e do turista – mesmo que imaginário. Helene conhece potencialmente a medida britânica, seus pontos, suas calmas e seu centro, e justamente por conhecê-los encontra em FPD (o correspondente da livraria) muito daquilo que procura. Como o próprio livro nos diz, todo turista vai à Inglaterra com uma visão pré-concebida e encontra exatamente aquilo que procura. Helene quis a Inglaterra da literatura inglesa, e encontrou.

Por outro lado, os funcionários da Marks & Co. também têm uma visão de americano, seja através da literatura, das notícias ou dos turistas que começam a reaparecer depois da Guerra. Eles também encontram aquilo que procuram na diversão de Helene.

A primeira carta é escrita em outubro de 1949. Dois dólares valiam um bocado, e com cinco era possível comprar 6 livros antigos em bom estado. São as belas e antigas encadernações inglesas que encantam Helene, o papel mais resistente, os cadernos costurados e as letras douradas na capa, não era possível encontrar algo de qualidade similar em Nova York por um preço acessível. (É aqui que a idade da cultura inglesa faz diferença, seu cuidado com essa cultura é diferente, a ideia de Europa como bastião cultural, mas isso é assunto para outro texto.)

Todo o livro é uma viagem aconchegante pelos hábitos de leitura de Helene. Sentimos-nos abraçados por suas predileções e vibramos quando uma nova nota é descoberta em um livro usado. A encomenda, a espera do livro, o desembrulhar do papel, tudo nos é muito familiar – mesmo quando nossas compras demoram 4 dias e não 4 semanas.

O amor pela leitura preenche as cartas de Helene e FPD. Se existe algum romance aqui é entre o leitor e seus livros, ou entre o leitor e os outros leitores. Esse diferencial transforma o livro em grata surpresa.

O filme também é de uma sensibilidade bonita. Mas como quase sempre, vale a pena ler o livro antes.

PS: Acredito que o livro esteja esgotado. Mas é possível encontrá-lo pela Estante Virtual.

Anúncios

14 pensamentos sobre “84 Charing Cross Road – Helene Hanff

  1. O filme está na minha lista faz um tempinho, mas nem sabia que era baseado no livro. Vou deixá-lo na espera mais um pouco e tentar ler o livro antes. Valeu pela dica ;)

  2. Parece ser um livro incrível, nunca tinha ouvido falar! Adoro livros que falam sobre o amor pela leitura…acho que livros assim são o deleite de todos os bibliófilos.

    Nunca te vi, sempre te amei é o que sinto por vários livros e escritores que ainda não li, William Faulkner por exemplo, eu já amava antes de conhecer. Amo o Philip Roth de longa data, mas ainda não li nenhum de seus livros. Que loucura!

  3. Nada a ver o meu comentário com o livro em debate, MAS… Licença, vim aqui recomendar o livro ‘Meio Sol Amarelo’, da Chimamanda Ngozi Adichie. Você comentou em um vídeo passado que queria ler um livro dessa autora, por conta da palestra que ela proferiu pelo TED. Pois é, após essa fatídica palestra do TED comprei o referido livro e amei, amei muito. Minha mãe, eu e ainda presenteei um professor com esse livro. Indico, e sei que tu vai gostar. E sei que tu vai gostar por acompanhar seu blog a um tempo e ver que temos gostos bem parecidos! Passando inclusive por Sandman (Indico também o livro “Lugar Nenhum”, do Neil Gaiman. É muito melhor que o “Deuses Americanos”, que também não considerei tão bom, embora eu seja fanzoca/doente do/por Gaiman), Hellblazer, entre outros. http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12508 Bem, é isso. Adoro o blog. X)

  4. Lindo post, Lu, que me fez pensar se a materialidade passado pelo filme não seja mesmo uma função do cinema, ou de um tipo de cinema, cabendo à literatura a possibilidade de explorar a sensibilidade pela abstração.

  5. Nunca tinha ouvido falar tanto no livro quanto no filme, mas gostei bastante da premissa. Seus comentários e sua nota alta fazem ele ir direto para a lista dos desejados, vou logo marcar no skoob. Ótima dica e achado!

    Beijos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s