Bossypants – Tina Fey

bossypants audiobookJá vou logo assumindo, não vi 30 rock. Pronto. Todo meu conhecimento sobre quem é Tina Fey vem de Meninas malvadas e da imitação da Sarah Palin. Tenho um amigo que sempre me fala o quanto 30 rock é legal e que eu devo assistir, mas sou chata com comédia, nunca dou risada de nada e acabo me achando ainda mais chata quando tento assistir qualquer coisa.

Bem, quando quis entrar pela primeira vez no mundo dos audiobooks, resolvi começar por um best-seller, Bossypants. Não consegui encontrar um valor confiável para o número de exemplares vendidos, mas foram muitos. Achei que era um bom caminho. E foi.

Em Bossypants, Tina Fey vai contar um pouco de sua participação no mercado de produção de vídeos/comédia/TV, ela também vai falar um pouco sobre sua vida e algumas decisões que a levaram até lá, mas o livro não é uma biografia.

Logo no começo ela nos diz que sempre perguntam: “como você se sente sendo chefe de todas essas pessoas?” – ela é produtora do programa (30 rock, na época do livro, 2011) que tem 200 funcionários. Depois da pergunta, Tina Fey pensa “será que perguntam o mesmo para Donald Trump?”. Isso já coloca uma pulga atrás da orelha do leitor, ela vai discutir gênero em um livro de comédia? Em um livro que vendeu mais que 20 cópias?

Vai. De um jeito particular e menos direto, ela vai. Todo o tempo a comparação entre comediantes homens e mulheres aparece, também a relação entre uma mãe que trabalha fora de casa e um pai que faz o mesmo. É ao mesmo tempo engraçado e gratificante ouvir alguém dizer sobre uma entrevista de emprego “only in comedy does an obedient white girl from the suburbs count as diversity”.

Bem, tentando manter as coisas de uma maneira mais cronológica, temos um pedaço da infância de Tina Fey, com seus pais republicanos e toda a inadequação adolescente. Temos Tina Fey na universidade, onde sua beleza não era o maior dos atributos e seu humor nem sempre oferecia uma vantagem.

Depois, temos a participação no Second city, grupo de estudos de improvisação em Chicago, e a entrevista de emprego já citada – para a equipe de roteiro e apresentação do Saturday Night Live. Por fim, a idealização e realização de 30 rock, a gravidez e Sarah Palin. Todos os episódios balanceados com diversas doses de humor.

Sobre a experiência com o audiobook, achei boa, mas também acho que escolhi um bom livro. Tina Fey é engraçada e todas as frases soam como certas em sua voz. Mas não sei como me sentiria se estivesse efetivamente lendo o livro. As frases são curtas demais, incisivas demais e diretas demais. Existe uma preocupação com a linguagem, mas é uma preocupação diferente da literatura a que estou acostumada. As frases são moldadas para o riso, não para a apreciação – não que o riso não seja uma forma de apreciação, mas em excesso acho difícil que a alcance.

O livro é divertido e me fez rir, o que diz muito sobre ele, já disse que sou uma ranzinza mal humorada que não ri de nada. E, o que me deixou mais impressionada, ele não me fez gostar mais de Tina Fey. Em alguns momentos, os posicionamentos dela são diferentes dos meus; em outros, ela tem atitudes que não gostaria de ver. Isso não significa que o livro seja excepcionalmente sincero ou revelador, ele só mostra uma personagem Tina Fey bem construída. Ela tem conflitos, é boa e ruim, e as vezes os dois ao mesmo tempo. Valeu a pena.

E agora, vou começar a assistir minha primeira temporada de 30 rock.

*Para quem se interessou, o livro está previsto para sair em português no ano que vem com o título “Tina Fey: a poderosa chefona”, pela Record/BestSeller.

Tina Fey

“What 19-year-old Virginia boy doesn’t want a wide-hipped, sarcastic Greek girl with short hair that’s permed on top? What’s that you say? None of them want that? You are correct. So I spent four years attempting to charm the uninterested.”

“Some people say, “Never let them see you cry.” I say, if you’re so mad you could just cry, then cry. It terrifies everyone.”

“It is an impressively arrogant move to conclude that just because you don’t like something, it is empirically not good. I don’t like Chinese food, but I don’t write articles trying to prove it doesn’t exist.”

“Gay people don’t actually try to convert people. That’s Jehovah’s Witnesses you’re thinking of.”

“It will never be perfect, but perfect is overrated. Perfect is boring on live TV.”

“Amy [Poehler] made it clear that she wasn’t there to be cute. She wasn’t there to play wives and girlfriends in the boys’ scenes. She was there to do what she wanted to do and she did not fucking care if you like it.”

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5 pensamentos sobre “Bossypants – Tina Fey

  1. Pingback: Leituras e compras: resumo de agosto em vídeo | ao rés do chão

  2. Eu acho que preciso ver 30 Rock, mas também sofro desse mal: não é tudo que me faz sorrir. Então, essa semana eu fui ver o primeiro episódio, e sei lá, não me empolguei muito. Achei meio sem graça. Mas isso me angustiou, porque todo mundo fala que é tão genial, e eu preciso tanto de novas séries que eu realmente queria ter gostado. Vou dar mais algumas chances, espero que eu engrene…

  3. Luara,

    Eu sou fã de audiobooks mas não me aventurei em um em ingles ainda. Ouço podcasts em ingles mas me perco um tanto ainda. Leio bem mas é mais fácil do que ouvir com certeza. Como é o nivel de ingles desse audio?
    Gosto muito de ouvir enquanto faço ginástica ou esteira, e em caminhadas pela rua. No transito tbem é ótimo.

    Obrigads

    Abços

    Heloisa

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