Vestido de noivo – Pierre Lemaitre

999-zoom_20131029143730A primeira vez que ouvi falar sobre o selo Vertigo (especializado em livros policiais) foi pela Denise do Cem anos de literatura. Fiquei bem interessada em ler alguma coisa, e vi que muitos autores escandinavos estavam no catálogo deles. Faz algum tempo que quero ler algum scan noir, mas queria começar pelo Henning Mankell, então, quando a Sabrina entrou em contato comigo para perguntar se me interessaria em receber alguns livros deles, aceitei na hora, escolhendo um francês pra começar e um norueguês para ler depois do Mankell.

Minha relação com os romances policiais não é das mais tranquilas: ou desgosto de alguma coisa logo de cara, ou leio tudo de uma golada só, quase não aproveitando nenhum sabor. Assim, a leitura acaba sendo um episódio de Criminal minds, rápido, sádico e viciante.

Comecei a ler Vestido de noivo com a ideia de que precisava ler um pouco mais devagar e quase consegui. O diário de leitura foi mais ou menos assim:

  • Primeiro dia: Algumas páginas vencidas. Conheci a personagem principal, Sophie, e sua desconfiança sobre o próprio estado mental. Ela frequentemente sofre com apagões de memória e passa por uma crise intensa de depressão. Seu marido morreu (ainda não sabemos como) e isso abalou ainda mais sua já frágil estrutura psicológica. Sua mãe faleceu há algum tempo, e sua relação com o pai é boa e próxima. Atualmente, ela trabalha como babá de um menino de 6 anos – embora seja superqualificada para o cargo.
  • Segundo dia: Sophie entra mais uma vez em crise e apaga; quando acorda, acredita que cometeu um assassinato horrível do qual não tem nenhuma lembrança. Será que ela já havia matado alguém? Suas lembranças são mostradas de forma confusa. Não é possível saber se ela realmente fez alguma coisa, nem mesmo é possível confirmar que esteja enlouquecendo. Mesmo assim, Sophie foge. Cheguei na página 40.
  • Terceiro dia: Sophie continua fugindo, sua vida continua uma bagunça e ela não sabe bem como a loucura entrou em sua vida. Ela é filha de uma psiquiatra, deveria ter sido capaz de identificar algum indício. Como será que seu marido morreu? Estou na página 85, deveria parar por hoje e dormir, mas continuo a ler… REVIRAVOLTA TOTAL! Não vou conseguir parar de ler tão cedo. Lá se vai o projeto de ler com calma.

Bom, consegui fazer com que o livro durasse três noites, já é um bom começo, não? Depois da reviravolta, eu precisava saber se minhas suspeitas estavam certas! Adoro pensar que sou super perspicaz e consigo adivinhar quem é o assassino logo de início, mas a verdade é que sigo exatamente o que o autor quer, descubro quem é o responsável exatamente na hora que ele planta a pulga atrás da nossa orelha. Foi assim com Vestido de noivo. Mesmo tendo uma forte suspeita sobre o final, continuei a ler em ritmo intenso, só para saber se estava certa ou não.

Durante vários momentos fiquei com medo que Lemaitre encaminhasse a coisa para um lado curvilíneo demais. Reviravoltas são interessantes, mas não gosto de montanhas-russas onde me sinto empurrada para o próximo loop mesmo contra a minha vontade. Entretanto, achei que Vestido mostrou a quantidade certa de surpresas e ainda trouxe, de leve, algumas questões sobre poder e sexualidade que valeram a pena.

Pierre Lemaitre foi o ganhador do Prêmio Goncourt em 2013, e fiquei até curiosa para ler o livro que o levou à vitória – um romance histórico sobre a Primeira Guerra Mundial -, mas confesso que o fato de ser um calhamaço  não colaborou com a minha decisão.

Agora, hora de partir pra a Escandinávia e pensar um pouco sobre a crítica ao Estado de bem-estar social. Frio, aí vou eu!

Pierre Lemaitre (Divulgação)

Pierre Lemaitre (Divulgação)

  • Tradutor: Zéfere
  • Editora: Vertigo
  • Ano: 2013/2009
  • Páginas: 268

*Esse livro foi enviado pela editora; não paguei nem recebi por ele, mas o escolhi com muito carinho :)*

 

Para quem já leu o livro: Ele me lembrou muito O colecionador quando lemos a versão de Frantz. Vocês acharam isso também?

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7 pensamentos sobre “Vestido de noivo – Pierre Lemaitre

  1. Hahaha…. me identifiquei totalmente com sua descrição de leitura “Criminal Minds”. Também não consigo parar. E gosto de me achar a Sherlock Holmes, mesmo não sendo.
    Ainda não li nada dessa coleção, mas boas indicações não me faltam. Parte aí para o frio que quero saber depois como foi.;)
    beijo!

  2. Ahahah, adorei seu diário de leitura!
    Eu, quando gosto muito, não consigo parar.
    E também achei que o Lemaitre acertou na dose de reviravoltas; embora em algum momento eu senti um pouco a diminuição do ritmo.
    Beijos!

    PS: (Só para quem leu o livro!) Assim que começou a parte F, eu pensei no livro do Fowles. O que achei mais genial é a inversão da ordem em comparação com O Colecionador; a surpresa foi até maior, neste caso. ;)

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