Vídeos (e também sobre os vídeos)

Todo mundo que vê o blog já deve saber, mas não custa avisar de novo: o blog tem um canal no youtube. O mais importante disso é que, quando o bloqueio de escrita bate forte (seja por conta de uma semana mais puxada no trabalho ou por uma semana menos puxada de leituras), eu acabo fazendo mais vídeos que posts.

Muitas vezes eu esqueço de avisar aqui no blog quais são os vídeos mais recentes, então se quiser se inscrever para receber os vídeos do youtube direto no email o link é este aqui. Feito o momento top-therm, vamos aos vídeos que ainda não apareceram aqui no blog:

Lembra daquela corrente que passou pelo facebook dos 10 livros mais influentes da sua vida? Pois bem, ela também foi parar no youtube:

 

Também falei de uma pequena leitura que fiz: Lua de larvas, da Sally Gardner

 

Mostrei os livros novos que comprei em março:

 

E também os livros que li no mês passado:

 

Bem, aqui estão os vídeos. Mas não são só eles que me interessam hoje. Tenho uma relação muito estranha com o youtube, ao mesmo tempo que gosto (e muito) de ver vídeos, sempre sinto um certo peso no ombro, como se a culpa estivesse sempre do meu lado sussurrando “mas você devia gastar seu tempo com outras coisas, ler resenhas profundas sobre os livros, aquelas que citam Deleuze e Derrida”. Vejam bem, eu também gosto de textos complexos sobre livros. Realmente admiro alguns críticos literários que são competentes e brilhantes ao mesmo tempo. Mas não é só da crítica que vive a leitura, e isso é um fato que eu preciso lembrar a mim mesma sempre.

Depois de algum tempo vendo vídeos no youtube, sinto como se as recomendações que vêm de lá viessem, na verdade, daquele amigo cujo gosto literário te interessa. Aquele amigo que te passa dica de livros ao mesmo tempo em que fala do último aplicativo bacana que ele baixou pro celular. Infelizmente, esse papel não pode ser ocupado pela crítica.

Vamos aos exemplos, para horror dos teóricos: se eu fosse escrever uma crítica sobre Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo, eu teria que levar em consideração o que o Wallace fez, quem ele influenciou, a importância dele para um determinado contexto da literatura estadunidense etc. Mas, no youtube (e no meu blog), eu posso falar que, embora reconheça a importância, eu achei o livro um porre. Não consegui nem terminar. Claro, algumas sacadas interessantes e uma inteligência visível, mas chato, enfadonho, metido-a-engraçadinho, sei-mais-do-que-você, bem parecido com os textos da piauí, sabe?

Além da liberdade, o youtube me deixa mais próxima da pessoa que indica o livro. E não estou falando aqui de super exposição da vida privada, estou falando daquela conversa que você teria com um colega de trabalho, por exemplo. É possível falar mais sobre o que acontece na sua vida além dos livros, e isso também é válido.

Faz um tempo, li no blog da Juliana Cunha um texto sobre o fim dos blogs pessoais (na verdade, o texto era sobre o livro que ela estava lançando, mas enfim). A maioria dos blogs agora são especializados, falam só sobre livros, ou só sobre filmes etc. E o mais engraçado é que eu acabo me interessando mais por blogs/vlogs que falem um pouquinho também do lugar que ocupam no mundo. Acho que isso não acontece só comigo, os vídeos de TAGs (onde a pessoa responde a algumas perguntas ligadas aos livros e a outros aspectos da vida) são quase sempre os mais assistidos de diversos canais.

O youtube – e também o blog, já que esse texto acabou misturando tudo mesmo – não existe só para servir a um propósito. Claro, você pode encontrar uma palestra super legal ou um curso inteiro de uma universidade gringa, mas você também pode ver pessoas falando da sua experiência de leitura, e isso é muito, muito legal.

Resumindo: o que eu gosto no youtube é que eu vejo pessoas falando sobre livros, levando em consideração o que elas sabem, o que elas acreditam e o que elas gostam. A crítica, por mais pessoal e visceral que seja (e sempre é), não tem (e nem pode ter) essa liberdade.

Admiro por demais o trabalho dos críticos literários; mas, meu filho, eu não queria estar no seu lugar.

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2 pensamentos sobre “Vídeos (e também sobre os vídeos)

  1. Olá! Descobri ontem o seu canal no Youtube e adorei. Parabéns!!! Concordo com o que você disse. Acho que o bom dos blogs literários e canais é passar esse clima de bate papo, dar uma aliviada na pressão de falar sobre literatura, como se sempre tivéssemos que preparar um ensaio para falar de qualquer livro. Voltei com o meu blog para poder relaxar, dar uma aliviada na pressão que há na pós e estou adorando! Beijoss

  2. Também sinto uma pontada de culpa quando não leio resenhas mais completas (e complexas). Confesso que às vezes me chateio quando paro para pensar no tempo que gasto vendo vídeos sobre livros no youtube, se eu utilizasse esse tempo para ler, com certeza leria mais. Mas você mencionou no post exatamente o que penso. Gosto de ver os vídeos porque acabo estabelecendo uma certa sensação de proximidade com quem indica, além de achar que nos vídeos as pessoas conseguem falar melhor o que pensam, sem tantas reservas e ponderações. Ótimo post. P.S: Não perco um vídeo do teu canal. ;) Abraços.

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