As cavernas de aço – Isaac Asimov

imagemAcredito que tenha demorado para começar esse livro visto que minhas últimas leituras de Asimov ou foram muito exigentes, trilogia Fundação, ou muito surpreendentes, Eu, robô. O tema, um romance policial de ficção científica com robôs, não poderia me deixar mais curiosa — uma série bem legal, que infelizmente foi cancelada, era levemente baseada nesse livro, Almost Human — e saber que o segundo volume da trilogia está chegando às livrarias foi o pontapé que faltava.

Pode parecer estranho, mas nunca achei uma obra de Asimov realmente genial. E isso não é algo negativo. O genial incomoda, assusta, desconforta. Tem seu papel, mas não é o mais agradável deles. E a impressão que tenho ao ler os livros de Asimov é a contrária, existe um conforto na leitura que não é o conforto fácil que reduz o tema, é antes o conforto de alguma coisa bem delineada, pensada para prender e ajudar o leitor. Mesmo no universo da Fundação com seus 3/7 livros, não é exigido do leitor um esforço para acompanhar o livro. Parece que o autor sabe que seu projeto, difundir a ciência e a ficção científica, já é grande o suficiente e para completá-lo é melhor ser mais amigo do leitor.

Não estou dizendo que por ser mais simples a leitura é menor, mas se a invenção narrativa é o que te chama a atenção, talvez os livros dele não sejam seu número. De qualquer forma, acho interessante variar a leitura o máximo possível e perceber como é interessante um projeto grandioso sendo executado com simplicidade.

Bem, As cavernas de aço é o livro mais vendido de Asimov; escrito em 1953, conta a história do detetive Elias Bailey em uma Terra futurística. A exploração, colonização e independência do espaço formam o passado do nosso planeta e, para sobreviver com uma população cada vez maior, as cidades foram organizadas como grandes células autossuficientes. Não é necessário sair das cavernas de aço para nada e mesmo o banho diário de sol já é artificialmente produzido dentro das cidades.

Diferentemente dos demais planetas colonizados (e agora independentes), a Terra tem uma relação muito ruim com os robôs. Acusados de tirar o emprego de humanos, inclusive do pai de Bailey, eles são rechaçados pela comunidade e sua implementação como força de trabalho enfrenta grande resistência. Nos demais planetas, os robôs são largamente utilizados e o crescimento populacional, controlado.

Assim, quando um assassinato ocorre dentro da estação isolada criada para estudiosos de outros planetas, o caso é passado ao detetive Bailey. Nesse momento a descrição sobre o acontecido é essencial, não custaria muito para que um tumulto acontecesse. Mas, como a investigação diz respeito a dois planetas, um robô é destacado como parceiro de Bailey para o caso.

Aqui, a relação de um detetive robofóbico e seu parceiro sintético é explorada pelo autor para também tratar de assuntos como a definição do humano, da memória, da família, do pertencimento e da própria justiça. Tais temas são abordados de forma superficial, afinal o livro tem 300 páginas e não se propõe a ser um tratado filosófico, mas que instigam o leitor a pensar mais sobre eles. Não duvido que a semente da curiosidade pode ter sido plantada por esse livro em diversos leitores.

Senti falta de algum desenvolvimento das questões, mas acho que é um livro interessante de investigação e que pode interessar a quem está começando a ler ficção científica. Bailey é um personagem cativante que expõe suas dúvidas e convida o leitor a pensar em conjunto.

Isaac Asimov

Isaac Asimov

  • Título original: Caves of Steel
  • Editora: Aleph
  • Páginas: 302
  • Ano: 1953/2013
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10 pensamentos sobre “As cavernas de aço – Isaac Asimov

  1. Luara, esse é o meu primeiro post no seu blog. Espero ser bem recebido (depois da dica que você me deu de entrar em contato com a increasy!).

    Concordo com tudo que você disse. Não sei quantos livros do mestre Asimov você leu, mas eu te aconselho (já que você gostou de Fundação) a série Robôs. São três livros maravilhosos, Caça aos robôs, Os robôs e Os robôs do amanhecer.

    Também é com o Elijah Baley e revela muita, mas muita coisa sobre diversos outros livros do Asimov!

    Bjos!

  2. Lindo texto, parabéns, você escreve muito bem!
    Li a Trilogia da Fundação no início do ano, e curti muito (apesar da ausência de personagens femininas me incomodar muito, no primeiro livro dava pra pensar que a humanidade era constituída só por homens, mas ter a Arcady no último livro me animou).
    Asimov sabe como conduzir a história, dar as informações essenciais sem exageros ou floreios. Gostei bastante da premissa da história.
    Vou colocar as cavernas de aço na minha listinha de “quereres” =)
    Abraços!

  3. Oi Luara,
    Essa será uma das minhas próximas leituras. Estou ansioso tanto por ser algo do Asimov como por misturar meus dois gêneros favoritos, FC e Romance Policial. Eu assisti Almost Human e gostei, mas tinha esperanças de que a série trilhasse um caminho diferente, acredito que se a mesma tivesse um história linear com mais relação entre os episódios, talvez tivesse prendido mais os telespectadores.
    Eu era um dos entusiastas, mas em certos momentos achei que o potencial da série foi subaproveitado.
    Ótimo texto.
    Beijos

  4. Acho que o desenvolvimento das questões que você sentiu falta nesse livro são bem exploradas no livro “Androides Sonham com Ovelhas Elétrica” de Philip K. Dick que deu origem ao filma Blade Runner.

  5. Não sabia que era o livro mais vendido dele, Luara. Também não sabia que era uma trilogia. Bom saber ; )
    Eu concordo com você que a forma como ele conta as histórias é bem simples, com o intuito de difundir a ciência e a tecnologia, mas ainda assim as reviravoltas são muito bem engendradas, né? A Trilogia da Fundação é repleta de surpresas. Até agora meu xodós são O Fim da Eternidade e Eu, Robô, mas Os Próprios Deuses foi uma grata surpresa. Vou colocar As Cavernas de Aço na fila!
    Eu assisti só o primeiro episódio de Almost Human. Quando descobri que foi cancelada, abandonei…
    Beijo!

  6. Oi Luara, parabéns pela resenha!
    Estou atualmente lendo o primeiro volume de A Fundação. Com certeza o professor Asimov é um dos meus autores favoritos, não é a toa que ele está na considerada “Trindade da Ficção Científica”, composta por ele, Robert Heilein e Arthur C Clarke =D Já havia lido anteriormente o Eu, Robô, estou encantado com A Fundação e lerei o Cavernas de Aço e sua sequência (O Sol Desvelado) em breve =D
    Beijos
    Fabricio “Louca Mente” Machado
    http://loucamenteloucamente.blogspot.com.br

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